ANDERSON, Chris. A Cauda Longa: Do mercado de massa ao mercado de Nicho. Nova York, 2006.

Anderson

Chris Anderson nasceu em Londres, em 1961, mas mudou-se para os EUA quando tinha 5 anos. É graduado em Física pela Universidade George Washington e  em Ciência do Jornalismo pela Universidade da Califórnia. Escreveu para os jornais científicos Nature e Science. Fez parte da equipe da revista The Economist até 2001, quando foi para a revista Wired, onde foi editor-chefe até 2012. Publicou o livr Long Tail (A Cauda Longa) em 2006, que ganhou destaque e apareceu na lista dos Best-seller Não-Científicos do jornal New York Times no mesmo ano.

“[…] Divulgação boca a boca online. Por ocasião do lançamento de No ar rarefeito, alguns
leitores enviaram resenhas para a Amazon.com, apontando as semelhanças com o então menos conhecido Tocando o vazio, que cobriram de elogios. Outros compradores leram essas resenhas, verificaram no site o livro mais antigo e o incluíram em seus carrinhos de compra. Em breve, o software da livraria online identificou padrões nos comportamentos de compra […]
e começou a recomendar os dois como par. As pessoas aceitaram a sugestão, demonstraram entusiasmo pelos livros, escreveram resenhas ainda mais empolgadas — e deflagrou-se um loop de feedback positivo.” [pag.1]

“[…] a economia emergente do entretenimento digital será radicalmente diferente da que caracterizava o mercado de massa. Se a indústria do entretenimento no século XX baseava-se em hits, a do século XXI se concentrará com a mesma intensidade em nichos.” [pag.1]

A TIRANIA DA LOCALIDADE

“[…] Muitos produtos de entretenimento de excelente qualidade, capazes de atrair grande público no âmbito geral, não conseguem superar as barreiras do varejo local.” [pag.2]

“[…] quase todos queremos mais do que apenas hits. As preferências de todas as pessoas em certos pontos se afastam da tendência dominante.”[pag.2] 

O autor procura destacar as limitações econômicas e físicas do método tradicional de produção e venda de entretenimento. As grandes lojas limitam-se a vender os produtos que terão elevado sucesso ou que são hits. CDs e livros para nichos pequenos não conseguem espaço nas lojas, não por falta de interesse deles, mas pela falta de espaço e de recursos para abarcar toda a gama de produtos que existe.

MERCADO SEM FIM

“[…] Sem dúvida, concentrar-se nos sucessos parece fazer sentido ” [ pag.3]

Sob a perspectiva de lojas como Wal-Mart, a indústria de música se limita a menos de 60 mil faixas. Contudo, para varejistas online, como Rhapsody, o mercado é aparentemente infinito. Sempre há alguém que baixa, pelo menos uma vez por mês, não só alguma de suas 60 mil faixas mais vendidas, mas também outras de suas 100, 200 ou 400 mil faixas principais — e até as 600 mil, 900 mil faixas mais importantes, e ainda mais do que isso.” [pag. 4]

” […] Kevin Laws, capitalista de risco e ex-consultor da indústria de música,
assim se manifesta: “O dinheiro de verdade está nas menores vendas.”
“[pag. 5]

esses milhões de vendas marginais são um negócio eficiente e eficaz em relação ao custo.
Sem precisar pagar espaço de prateleira […]  a venda de um produto de nicho é
apenas mais uma venda, com margens iguais ou melhores do que as dos hits.
[…] De repente, a popularidade não mais detém o monopólio da lucratividade.” [ pag. 5]

Fazendo referência a venda de propaganda o Google e o download de músicas no Rhapsody, o autor prova que a cauda longa representa uma expressiva fonte de lucro, mas que na economia sem internet estava praticamente inacessível para o público em geral.

A MAIORIA OCULTA

“[…] As ilhas representam os produtos que são bastante populares para erguer-se além da superfície […]  as ilhas são, na verdade, apenas os cumes de grandes montanhas subterrâneas. Quando o custo de distribuição cai, é como se o nível da água baixasse no oceano“[pag.6]

As inovações tecnológicas reduziram o custo de produção de muitos produtos e os tornaram acessíveis. Mas, também havia uma demanda latente por materiais diversificados, fora na cabeça da cauda.

OS NOVOS PRODUTORES

“[…] Uma teoria básica sobre o funcionamento do universo foi confirmada graças a amadores na Nova Zelândia e na Austrália, a um amador que tentava virar profissional no Chile e a físicos profissionais nos EUA e no Japão […]  Mas surgiram redes de pesquisa global, interligando profissionais e amadores com interesses comuns em estrelas eruptivas, cometas e asteroides.” [pag. 7]

Fazendo referência às descobertas científicas e apoio que os profissionais da NASA receberam de astrônomos amadores e os softwares de código aberto, o autor mostra que a Internet permitiu um série de mudanças na relação de produção. Existe uma rede, onde cada um deixa de ser um mero ser passivo e passa a fazer parte de um processo criativo.

DEMOCRATIZAÇÃO DAS FERRAMENTAS DE PRODUÇÃO

“[…] Da mesma maneira como aguitarra elétrica e a garagem democratizaram a música popular quarenta anos atrás, o advento do computador e das ferramentas de produção estão democratizando o estúdio.”[pag. 9]

“[…] No entanto, quando sabemos o que acontece nos bastidores, começamos a perceber
que também nós podemos ser os gênios privilegiados. Inspiramo-nos a criar quando as ferramentas de produção são transparentes. Quando as pessoas compreendem como se fazem as grandes obras, é mais provável que elas mesmas queiram fazê-las” [pag. 10]

Chris Anderson destaca que muitos equipamentos, antes caros e disponíveis apenas para grandes empresas, agora estão acessíveis para o público geral e estes tem percebido o potencial dessas ferramentas, tornando-se produtores de material de relativa qualidade.

O FENÔMENO DA WIKIPEDIA

“[…] Desde os mais remotos primórdios, a compilação de conhecimentos respeitáveis foi tarefa de acadêmicos. […]  O trabalho individual aos poucos evoluiu em grandes empreendimentos de equipe, sobretudo depois da chegada da Revolução Industrial.” [pag. 10]

“[…] Conforme afirmou o escritor Daniel Pink, “em vez de em linhas de autoridade definidas com clareza, a Wikipedia se baseia na descentralização radical e na auto-organização.” [pag. 10]

A Wikipedia sai do padrão das enciclopédias clássicas. Estas eram desenvolvidas por um grupo seleto de pesquisadores. Enquanto que a Wikipédia, é um repositório coletivo de conteúdo, ministrado por todos os que desejam partilhar informação.

A ERA PROBABILÍSTICA

“[…] Esses sistemas probabilísticos não são perfeitos, mas, sob o ponto de vista estatístico, são otimizados para, com o tempo, tornar-se excelente” [pag.11]
“[…] A Internet é a última palavra em mercado de ideias, regido pela lei dos grandes número.” [pag.12]

O autor discorre sobre os erros em microescala da Wikipedia. Afirma que eles não comprometem a enciclopédia, pois, se observar estatisticamente, as produções físicas de mesmo estilo possuem tantos erros quanto ou até mais, em alguns casos. Além disso, elas possuem uma quantidade limitada de verbetes e são atualizados anualmente.

O PODER DA PRODUÇÃO COLABORATIVA

“[…] Nos verbetes populares, que são observados por muita gente, a Wikipedia demonstra notável resistência ao vandalismo e às batalhas ideológicas.” [pag. 12]
“[…] O que torna a Wikipedia de fato extraordinária é sua capacidade de melhorar com o tempo, curando-se organicamente, como se seu enorme exército” [pag. 13] 

“[…] Embora muitos críticos se concentrem nos piores artigos, o aspecto realmente importante da cauda da Wikipedia é inexistência de absolutamente nada parecido com ela em nenhuma outra fonte.” [pag. 14]

O livro usa diversos dados para provar que a Wikipedia é uma fonte de pesquisa única. Apesar de alguns verbetes não serem tão bem produzidos, o processo colaborativo acaba resolvendo os pequenos erros e a chance de eles ocorrerem é reduzida. O apoio dos internautas mostra uma nova era, onde uma rede de apoiadores sem fins lucrativos trabalham para um bem comum.

A ECONOMIA DA REPUTAÇÃO

“[…] Embora muitos críticos se concentrem nos piores artigos, o aspecto realmente importante da cauda da Wikipedia é inexistência de absolutamente nada parecido com ela em nenhuma outra fonte.” [pag.14]
“[…] No alto, na cabeça, onde os produtos se beneficiam de canais de distribuição de mercado de massa poderosos, mas dispendiosos, predominam os aspectos de negócios […]  Embaixo, na cauda, onde os custos de produção e distribuição são baixos, graças ao poder democratizante das tecnologias digitais, os aspectos de negócios geralmente são secundários.” [pag.14]

Conforme destacado pelo autor, os objetivos e métodos dos produtores da cabeça e da ponta da cauda são diferentes. Enquanto que os primeiros visam o lucro em escala, aqueles baseiam-se na cultura da exposição.

AUTO EDITORAÇÃO SEM ACABAMENTO

“[…] O livro passa a ser não o produto de valor em si, mas a propaganda do produto de valor — os próprios autores”[pag.15]
“[…] a maioria dos autores ainda não usa esses serviços de auto-editoração para ganhar dinheiro, nem espera grande sucesso. Boa parte dos outros milhares de clientes da Lulu optam pela auto-editoração por estarem conscientes de que o que estão escrevendo não deve vender o suficiente para tornar compensadora a busca de um editor comercial”[pag.16]

“[…] Desde cineastas até bloguistas, produtores de todos os tipos, que começam na cauda, com poucas expectativas de sucesso comercial, podem dar-se ao luxo de correr riscos, pois têm menos a perder. […]  a Cauda Longa talvez se transforme na área crucial da criatividade, lugar onde as ideias se formam e se desenvolvem, antes de se transformarem em sucessos comerciais.“[pag.16]

Chris finaliza mostrando que os produtores da cauda visam principalmente a exposição e a publicidade de seus materiais e não o lucro. Ele mostra exemplos de empresas que trabalham com a produção em pequena escala e experimental, como o site lulu.com, onde livros são produzidos em pequenos lotes e reimpressos de acordo com a demanda. Também apresentou o projeto sul-coreano de jornalismo participativo, onde os jornalistas se tornam mediadores das notícias, que são produzidas por diversos colaboradores.

Durante o capítulo 1, o autor procurou evidenciar a mudança causada pelo crescimento da Internet. Ressaltou que os dados provam que a da cauda longa trás tanto lucro quanto os que estão na cabeça dela. Também mostrou os benefícios trazidos pela rede de computadores e o trabalho “de formiguinha” realizado por diversos amadores e não especialistas. Ele pretende convencer o leitor de que a cauda longa comprova a existência e o valor de uma diversidade de nichos, como mostra que ela já está trazendo lucro para os que sabem fazer uso dela.

 

 

 

 

 

 

 

 

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