[Fichamento] Galáxia da Internet

castells

Manuel Castells Olivan é um renomado sociólogo da área da Comunicação. É um dos cinco autores das Ciências Sociais mais citados no mundo (Social Sciences Citation Index 2000-2014). Ele nasceu em Hellin, na Espanha, em 1942. Iniciou o curso de  Direito e Economia na Universidade de Barcelona em 1958. Mas, em 1962, precisou se exilar por causa da ditadura de Francisco Franco. Tornou-se professor da Universidade de Paris com 24 anos. Atualmente, é professor da Universidade da Califórnia, em Berkeley. É membro do Internet Interdisciplinary Institute na Universidade Aberta da Catalunha e presidente do conselho acadêmico do Next International Business School.

Na década de 1970, Castells se dedicou inicialmente ao estudo da sociologia urbana marxista. Ele introduziu o conceito de “consumo coletivo”. Nos anos 1980, passou a se concentrar no papel das novas tecnologias de informação e comunicação. Entre 1996 e 1998, publicou a trilogia “Era da Informação”. Em 2001, lançou a obra A Galáxia da Internet, onde ele define a cultura da Net em quatro níveis. Neste livro, ele desenvolve o termo “geografia da Internet”.

 

A GALÁXIA DA INTERNET (2003)

Capítulo 2 – A Cultura da Internet

A Internet não surgiu por acaso. Ela é fruto de uma série de processos complexos e está diretamente relacionado com a cultura. De fato, as novas tecnologias são produtos culturais. Segundo Castells, a Internet é formada por dois tipos fundamentais de cultura: os produtores/usuários e os consumidores/usuários.

Esses integrantes da rede mundial de computadores forma diversas culturas. Algumas delas se fixaram e tornaram-se elementos principais do uso, manutenção e desenvolvimento da Internet. Para Castells, podemos distinguir quatro tipos de cultura: a cultura tecno-metirocrática; a cultura hacker; a cultura das comunidades virtuais e a cultura empreendedora. Após classificá-las, ele passa a explicá-las em profundidade.

Tecno-elites. A cultura meritocrática é arraigada no meio acadêmico e científico. É formada por membros tecnologicamente competentes que reconhecem uns aos outros como membros de uma comunidade. As principais características deles são: o desenvolvimento tecnológico, contribuições ao conhecimento científico, reconhecimento na comunidade científica, autoridade como especialistas, trabalhos em rede (especialmente no meio universitário).

Hackers. A principal característica da cultura hacker é a informalidade. Eles possuem um papel fundamental para a Internet, pois estão entre a comunidade tecno-meritocrática (que desenvolvem as inovações) e os projetos empresariais (que visam o lucro e não liberam o código de seus softwares). É importante entender o significado do termo hacker, que é muitas vezes associado a criminosos virtuais. Programadores que destrancam softwares de código fechado são chamado de crackers. São eles que liberam ao público os aplicativos que são pagos.

A cultura hacker é formada por programadores das mais diversas formações. Todos, entretanto, são experts na área da informática e costumam forma uma rede de compartilhamento de informações. A cultura hacker inclui todo conjunto de valores e crenças que surgiram da rede formada por programadores interagindo online e colaborando entre si em projetos (conhecidos por eles como programação criativa).

Um exemplo clássico de software desenvolvido por hackers foi a criação do LINUX. Criado em 1993, através de um trabalho colaborativo, criou-se um sistema operacional muito mais eficiente do que a maioria dos que são vendidos no mercado. Para mais detalhes sobre, veja o documentário “Revolution OS“.

Um valor fundamental da cultura hacker é a liberdade. Liberdade para criar, obter conhecimento e distribuí-lo. A maioria deles disponibilizam suas inovações de forma gratuita, mas alguns defendem o direito de cobrar por seus projetos. A cooperação e reciprocidade são critérios importantes para julgar o prestígio de um programador na comunidade hacker.

A comunidade costuma programar eventos e encontros entre seus membros. Estes são das mais diversas culturas. Em outras palavras, são como qualquer outra pessoa. Cada um expressa características de sua formação sociocultural e do tempo em que vivem. Segundo Manuel Castells, as divisões internas da cultura hacker depende de construções mentais e divisões tecnológicas.

Existem subculturas baseadas em princípios políticos e na rebeldia individual. Os hackers que dela fazem parte lutam por causas sociais, como o direito à privacidade e a liberdade de expressão na Internet. E, à margem dessa subcultura, existem os crackers. Em geral, eles lutam por atenção e possuem conhecimento técnico limitado. A cultura hacker não os vê com bons olhos.

Comunidades virtuais. Termo criado por Howard Rheingold que se refere à comunidade formado por usuários não especialistas. Essa cultura ganhou espaço no início dos anos 1990, quando da difusão da Internet. Eles foram responsáveis pela difusão das mais diversas formas de uso da Internet: mensagens, correio eletrônico, chat rooms, jogos multi usuários e sistemas de conferência.

A origem da cultura virtual não é certa, mas entende-se que está associada a movimentos de contracultura e aos modos de vida alternativo que surgiram nas décadas de 1970. Nessa época se criaram várias comunidades online na Área da Baía de São Francisco, cujos membros eram hackers de computadores, comunas rurais e seguidores da banda de rock Grateful Dead.

A cultura das comunidades virtuais é formada atualmente por milhões de usuários. Não se pode mais dizer que é uma forma de contracultura. Os usuários utilizam o ambiente virtuais para satisfação de interesses e desejos particulares.

Empreendedores. O fenômeno do empreendedorismo online surgiu a partir do crescimento vertiginoso da Internet na última década do século XX. Apesar de ser um ambiente muito peculiar, ela era tão mercantil quanto outros ambientes de nossa sociedade. A rede mundial alterou o mundo empresário tanto quanto este a alterou.

De certa forma, a Internet é um novo mundo, com novas regras e processos de produção, gestão e economia. Ela se desenvolveu em uma relação não tão amigável entre os empreendedores e os desenvolvedores. Um precisava de programadores para seus empreendimentos, enquanto o outro não possuía dinheiro para alavancar seus projetos. Formou-se, portanto, uma relação simbiótica. O resultado foram as diversas inovações e produtos tecnológicos que surgiram no mercado a partir dos anos 1990.

A cultura da Internet

Neste capítulo, Castells discutiu sobre os principais estratos da cultura da Internet. Na parte superior dela, encontra-se a cultura tecno-meritocrática, cuja autoridade é mantida pela comunidade acadêmica. Estes visam o domínio mundial e usam o conhecimento e o mundo científico como legitimadores.

A cultura hacker, por outro lado, é legitimada por seus próprios membros. Apenas um hacker pode julgar outro. Para eles, os valores que dão crédito a um hacker são, basicamente, sua capacidade criar tecnologia e sua disposição em compartilhar seus projetos com a comunidade.

Os membros das comunidades virtuais assumiram valores tanto da cultura tecnológica como da cultura hacker. Acreditam na meritocracia e apoiam as causas de liberdade e livre interação na rede. Porém, desejam fazer uso da Internet para a vida social, ao invés de usar a tecnologia para o desenvolvimento de tecnologia.

Por fim, comentou-se acerca do papel dos empreendedores. Castells destacou que essa cultura não se entrincheirou em comunidades criadas em torno da tecnologia da rede. Ao invés disso, eles desejam tomar o controle do mundo, por assim dizer, fazendo uso do poder que acompanha a tecnologia da Internet. Em outras palavras, eles visam o lucro.

 

 

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