Sobre o autor

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Alex Primo é pesquisador de Cibercultura e Mídias Sociais, vlogueiro, blogueiro. Possui título de Doutor em Informática em Educação pela UFRGS e de Mestre em Jornalismo pela Ball State University. É graduado em Publicidade Propaganda. Atualmente, ministra aulas na pós-graduação da UFRGS, é bolsista em produtividade pela CNPq e desenvolve pesquisa sobre interações em redes sociais.

Publicou o livro “Interação Mediada por Computador: comunicação, cibercultura, cognição” (2010). Atualmente, coordena o Laboratório de Interação Mediada por Computador (LIMC). Também é consultor de mídias sociais e realiza palestras na área. Atualmente pesquisa processos de colaboração e conversações online. Possui canal no Youtube: Alex Primo.

Crítica da Cultura de Convergência: participação ou cooptação?

Publicado em 2008, o livro Cultura de Convergência, escrito por Henry Jenkins, enfatiza que o fenômeno da convergência é, não apenas tecnológico, mas também cultural. Nessa nova cultura, a indústria cultural constrói e é construída pela audiência. Jenkins destaca o exemplo das fan fictions, que se apropriam de um conteúdo de mídia e constroem uma narrativa própria.

Henry Jenkins mostra diversos exemplos de convergência cultural. Um caso marcante é da trilogia Matrix. Lançada em em 1999, The Matrix criou uma legião de fãs. Por meio da rede, esses fãs puderam trocar muitas informações acerca da narrativa do filme. Eles se apropriaram do produto cultural e o expandiram. Chegou ao ponto de levarem a criação de outros produtos, como o filme Animatrix.

O processo de transmídia é outra característica da cultura de convergência. Ela ocorre quando uma história se desdobra em múltiplas plataformas. O autor da obra destaca também que as comunidades de conhecimento são o centro do processo de toda a convergência de popular da mídia. Eles querem ser participantes da criação dos produtos culturais. Não são meros elementos passivos.

Entende-se, portanto, que a cultura de convergência é uma forma de resistência. Na medida em que os usuários do mundo virtual criam novas narrativas sobre a lançada pela grande mídia, eles estariam sendo subversivos e fugindo ao controle dos tentáculos da grande mídia.

DIFERENTES CONVERGÊNCIAS

Alex Primo destaca nessa parte de seu livro que as coisas não são tão bonitas como Jenkins retrata. Ele problematiza diversos aspectos da cultura de convergência e destaca pontos que ficaram esquecidos por Henry Jenkins. Mas, antes de chegar nesse ponto, ele explica como o processo de convergência ocorre.

Ele ressalta que a convergência não é um fenômeno novo. Também argumenta que ela não ocorre com a destruição de outras mídias. Cita o caso do rádio, que resiste até hoje. Porém, não funciona como no princípio. Toda tecnologia nova de comunicação interfere nas antigas e estas se reconfiguram. Não é para menos, portanto, que observamos o design de revistas e programas de TV muito similares ao de tablets ou da própria web.

Outra questão importante é que a convergência não é apenas técnica. As inovações tecnológicas modificam o homem tanto quanto ele a modifica. A mídia modifica a cultura e é por esta modificada. Um exemplo dessa relação dual nas constantes referências na TV ao teatro e ao cinema. Ou no caso da Internet embasando seu conteúdo nas outras mídias.

“Convergência representa uma transformação cultural à medida que consumidores são incentivados a procurar novas informações e fazer conexões em meio a conteúdos de mídia dispersos.” (Henry Jenkins)

CONVERGÊNCIA COMO FENÔMENO DA CIBERCULTURA

O tema central de Jenkins é a simbiose entre a cultura dos fãs e a indústria do entretenimento. Fenômeno já ocorria, porém ele é catalisado pela Internet. A pressão do público ganha maior escala. A troca de informações entre os membros cresceu vertiginosamente com o fácil acesso às tecnologias e deu a eles maior liberdade para se expressarem e produzem conteúdo. Antes, a liberdade de expressão – na prática – existia apenas para a grande mídia.

A Internet em si não trouxe a convergência cultural. Esta ganhou proeminência com a chamada web 2.0, que é “marcada pela transição do foco na publicação (a primeira geração da web) para a participação coletiva”. O user-generated content (produto gerado por consumidor) se tornou mais atraente, carregando para si um grande público. A cultura participativa apareceu como resultado da nova tecnologia, que fortaleceu a interação entre grupos de fãs. Essa cultura gerou produtos, como as fan fictions, legendas de filmes e traduções de livros). De fato, para Jenkins,  “a inteligência coletiva pode ser vista como uma fonte alternativa de poder midiático”.


CONVERGÊNCIA OU COOPTAÇÃO?

Alex Primo, ao contrário do autor de Cultura de Convergência, percebeu que o fenômeno não é exatamente uma forma de “resistência”. Se o aspecto político existia no início, ele se perdeu em algum momento. Para ele, essa produção participativa tem sido bem aproveitada pela indústria do entretenimento.

Havia uma utopia segundo a qual a cultura participativa acabaria com a hegemonia da grande mídia. Visão esta celebrada por Jenkins. Mas, ele ignora o seguinte fato: os grupos de fãs não estão criando produções alternativas aos temas da grande mídia, mas reciclando os produtos já criados por ela. Em outras palavras, eles os reciclam.

Se assim o é, então a grande mídia não está ficando para escanteio. Ela está se reinventando, isso é fato. Criaram mais canais para ouvir os fãs e estão mais atentos ao que eles estão produzindo. Por essas e outras, eles não podem ser chamados de “mídia radical”. Afinal, eles estão reproduzindo e ampliando o alcance dos produtos midiáticos da grande indústria.

Para Alex Primo, esses fãs podem ser denominados de consumidores ativos. Eles realizam trabalho gratuito para a alta mídia. Apesar da maior interferência deles, a hegemonia das grandes indústrias não foi comprometida por inteiro. O que se observa é “maior interdependência” entre consumidor e produtor.

Não basta analisar apenas os movimentos que fazem convergir interesses da indústria e o prazer das audiências” (Alex Primo)

Para o pesquisador, é necessário uma pesquisa mais aprofundada a fim de compreender os diversos efeitos da cultura de convergência. Ele nota que, de fato, existem processos de resistência. Exemplos claros são os casos de pirataria, as aplicações do Twitter em revoluções e uso de blogs em regimes ditatoriais.

 

REFERÊNCIAS:

MATSUZAKI, Luciano Yoshio. Jenkins: a cultura da participação. In: Cláudia Castelo Branco, Luciano Yoshio Matsuzaki. Olhares da Rede. São Paulo: Momento Editorial, 2009.

PRIMO, Alex . Crítica da cultura da convergência: participação ou cooptação. In: Elizabeth Bastos Duarte, Maria Lília Dias de Castro. (Org.). Convergências Midiáticas: produção ficcional – RBS TV. Convergências Midiáticas: produção ficcional – RBS TV. Porto Alegre: Sulina, 2010, p. 21-3.

 

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