SOBRE O AUTOR

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Andrew Keen é um escritor norte-americano. Formou-se em História pela London University, Inglaterra, e fez pós-graduação em Ciência Política na Universidade Berkeley, EUA. Tornou-se conhecido pelo termo “anticristo do Vale do Silício”, por ser um ferrenho crítico da web 2.0 e das revoluções tecnológicas.

Seu livro O CULTO DO AMADOR (2007) critica de forma extensiva ao elevado entusiasmo pela produção compartilhada na Internet, a Wikipédia, conteúdos criados por amadores, entre outros. Em seguido, publicou o VERTIGEM DIGITAL. Este foca nas redes sociais e destaca os danos psicológicos e a erosão da privacidade como consequências.

O CULTO DA EMOÇÃO

INTRODUÇÃO

O autor começa falando sobre o teorema do macaco infinito. Essa teoria de caráter evolucionista diz que se colocarmos infinitas máquinas de escrever com infinitos macacos, poderá sair uma obra a la Shakespeare ou Platão. Porém, a maioria do material produzido será completamente inútil. O mesmo está acontecendo na web 2.0.

As consequências é o que ele chama de “achatamento da cultura”. Diz que vivemos numa interminável floresta de mediocridade. “Pois os macacos amadores de hoje podem usar computadores conectados em rede para publicar qualquer coisa, de comentários políticos mal informados a vídeos caseiros de mau gosto, passando por música embaraçosamente mal acabada e poemas, críticas, ensaios e romances ilegíveis”.
Ele também faz duras críticas aos intermináveis blogs que se proliferam pelo mundo virtual. ” Hoje em dia, as crianças não sabem distinguir entre notícias críveis escritas por jornalistas profissionais objetivos e o que leem em fulano.blogspot.com”. É como guias cegos. Um ciclo interminável de desinformação e ignorância.

A “sabedoria” das massas é algo questionável. Os sites não editados, como o Digg e o Reddit, são um espelho de nossos interesses mais banais. As redes sociais são uma mentira. “Eles se dizem devotados à interação social, mas na realidade existem para que possamos fazer propaganda de nós mesmos… Não surpreende que autopropagandas de crescente mau gosto tenham levado a uma infestação de predadores sexuais e pedófilos anônimos“.

A mídia tradicional está ameaçada pela pirataria virtual. Isso resulta na falência de empresas e, portanto, em diversas pessoas desempregadas. Ele questiona: “O que acontece, poderíamos nos perguntar, quando a ignorância se mistura ao egoísmo, ao mau gosto e à ditadura das massas?” E responde: ” No atual culto do amador, os macacos é que dirigem o espetáculo”.
CAPÍTULO 1 – A GRANDE SEDUÇÃO

Andrew Keen relata a sua conversão de ferrenho defensor da Internet tal qual existe para crítico. “Mas meu sonho de tornar o mundo um lugar mais musical caíra em ouvidos moucos; a promessa de usar tecnologia para levar mais cultura às massas fora abafada pelo grito coletivo dos membros do FOO Camp [amigos de O’Reilly] por uma mídia democratizada”. Estes possuem uma fé messiânica de mudanças econômicas e sociais por meio da web 2.0.

A suposta democratização da mídia na verdade seria a sobrevivência dos mais ruidosos. Na visão de Keen, a ideia da “cauda longa”, proposta por Chris Anderson, tem diversas falhas. “Porque a democratização, apesar de sua elevada idealização, está solapando a verdade, azedando o discurso cívico e depreciando a expertise, a experiência e o talento. Como observei antes, está ameaçando o próprio futuro de nossas instituições culturais”.

O conceito da cauda longa é sedutor, mas ilusório. Ela compromete a produção cultura de qualidade. Antes, haviam os “guardiões da cultura”. Mas, na sociedade do amadorismo, todos são “criadores”. Na verdade, constitui um “caos de informação inútil”. ” Para citar Richard Edelman, o fundador, presidente e CEO da Edelman PR, a maior empresa privada de relações públicas do mundo: “Nesta era de tecnologias de mídia em explosão não existe nenhuma verdade exceto aquela que você cria para você mesmo””.

Os blogs são produzidos sem qualidade. Reverberam mentiras. São inimigos da verdade. Não há editores, produtores, jornalistas, especialistas que identifiquem materiais de qualidade. Os benefícios da Wikipédia são duvidosos. Qualquer um pode escrever, sem garantia de nada. ” Num mundo com cada vez menos editores ou revisores profissionais, como vamos saber o que acreditar e em quem acreditar?

Os motores de busca como o Google sabem mais sobre nossos hábitos, nossos interesses, nossos desejos do que nossos amigos, nossos entes queridos e nosso psiquiatra juntos”. Temos que confiar que ele não revelará nossos segredos, apesar de sabermos claramente que eles já o fazem. 

Depois, ele faz duras críticas ao projeto de Lawrance Lessig, a Creative Commons, uma fundação que permite a criação de licenças abertas ou semiabertas. “Em um mundo no qual plateia e autor são cada vez mais indistinguíveis, e onde a autenticidade é quase impossível de ser verificada, a ideia original de autoria e propriedade intelectual tem sido seriamente comprometida”.

Andrew Keen também critica os wikirromances. Essa produção coletiva, a seu ver, compromente a qualidade do processo criativo. E o resultado não é algo significativo. A “morte do tradicional texto solitário” representa o fim da produção cultural de real valor para o conhecimento humano.

O CUSTO DA DEMOCRATIZAÇÃO

A proliferação de projetos coletivos de livros, filmes e etc na verdade obscurecem a verdade e a criatividade. Por serem grátis, também não trazem retorno financeiro significativo. Os que recebiam por produção especializada estão sofrendo com os materiais grátis disponíveis na Internet. Os blogs e as wikis estão dizimando as indústrias da publicidade, da música e da informação, que criaram o conteúdo original do “conteúdo” desses sites.

Na Web, onde todos têm voz igual, as palavras do sábio valem mais do que os murmúrios de um tolo…  Cultivar talento exige trabalho, capital, competência, investimento. Requer a infraestrutura complexa da mídia tradicional… Mas quanto mais conteúdo auto criado é despejado na Internet, mais difícil fica distinguir o bom do ruim – e fazer dinheiro com dele“.

Ele retorna ao conceito da “cauda longa”. Faz mais críticas:”Quanto mais especializado o nicho, mais estreito o mercado. Quanto mais estreito o mercado, mais curto o orçamento de produção, o que compromete a qualidade da programação, reduzindo ainda mais o público e alienando os anunciantes”. 

Um cartoon da revista New Yorker, em 1993, mostrava um cachorro usando a internet e dizendo para seu amigo que ninguém no mundo virtual sabe que ele é um cachorro. “Na era da autopublicação, ninguém sabe se você é um cão, um macaco ou o coelhinho da Páscoa. Todo mundo está tão ocupado se autodifudindo (egocasting), imerso demais na luta darwiniana pela compartilhamento da mente, para dar ouvido ao outro”

 

 

 

 

 

 

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