[Fichamento] Os Superficiais: O que a Internet está fazendo com nossos cérebros

SOBRE O AUTOR

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Nicholas G. Carr nasceu nos EUA, em 1959. É conhecido mundialmente pelo seu livro “The Shallows“, que chegou a ser um dos finalistas do prêmio Pulitzer na categoria de não-ficção geral em 2011. Ele começou a ganhar proeminência em 2003-4, quando da publicação do artigo “IT doesn’t matter” na Harvard Business Review e o lançamento do livro Does IT Matter? Information Technology and the Corrosion of Competitive Advantage. Nessas produções, ele discute sobre tecnologia da informação.

Em 2008, ele lança o livro “The Big Switch: Rewiring the World, From Edison to Google“. Nessa obra, ele discute sobre as consequências sociais e econômicas da computação em nuvens “The Shallows” foi publicado dois anos depois. Nesse livro, Nicholas Carr discute sobre os efeitos de curto e longo prazo da Internet na forma pela qual nosso cérebro funciona. Ele cita diversas referências históricas e científicas para embasar as suas questões. Destaca que as mudanças na forma de pensar ocorreram também com outras tecnologias, o que, portanto, indica que esses processos são normais. Porém, alguns efeitos causados pela Internet nos deixam em dúvida sobre seus benefícios.

O quarto livro de Nicholas Carr foi “The Glass Cage: Automation and Us” (2014), no qual discute os efeitos da automação em nossa sociedade. Uma visão mais crítica sobre o sonho americano das novas tecnologias veio em seu último livro, “Utopia Is Creepy: and Other Provocations“, lançado em 2016. A obra possui diversos textos de seu blog, “Rough Type”, no qual ele regularmente escreve sobre o utopismo tecnológico, a web 2.0 e os efeitos da Internet.

 

THE SHALLOWS: WHAT THE INTERNET ARE DOING TO OUR BRAINS?

PRÓLOGO – O CÃO DE GUARDA E O LADRÃO

A primeira referência citada no livro é o autor Marshall McLuhan. Ele é o autor do profético livro Os meios de comunicação como extensões do homem (1964). A frase mais marcante dessa obra é: “o meio é a mensagem”. McLuhan queria dizer que os novos meios eletrônicos tanto são alterados como alteram nossa forma de ser e pensar. Não são meros instrumentos. O conteúdo da mídia é alterado pelos novos equipamentos. A forma de pensar é modificada a medida que as tecnologias se modificam.

CAPÍTULO 1 – HAL E EU

O autor começa a falar de sua experiência de modificações na mente. Ele notou que sua capacidade de memorizar e se concentrar na leitura deterioraram-se muito nos últimos anos. E não foi devido ao envelhecimento. Ele destaca que outros estudiosos, amigos seus também, sofreram de sintomas parecidos aos dele. Ele também notou uma “fome” cada vez maior por clicar e acessa mais e mais links. Parece que o cérebro exige cada vez mais velocidade e interação na web.

Ainda assim, seus amigos não sentem vontade de voltar ao estado anterior. Aceitam as perdas, pois as enxergam como efeitos do mundo virtual. Com os blogs e sites, eles podem encontrar e acessar informações rapidamente. Basta pesquisar no Google ou procurar contatos no Facebook, para encontrar algo ou alguém.

A internet se tornou essencial nos mais diversos lugares, desde universidades até hospitais. ” Parece que chegamos, como previu McLuhan, a um ponto importante de nossa história intelectual e cultural, um momento de transição entre dois modos muito diferentes de pensar…  A mente linear, calma, concentrada, sem distrações está sendo substituída por um novo tipo de mente que quer e precisa obter e distribuir informações em curtos rebentos disjuntos e por vezes sobrepostos

Nicholas Carr relata um pouco das etapas tecnológicas pelas quais passou. Ele, que nasceu em janeiro de 1959, vivenciou a era do analógico e a transição para o digital. Também passou pelo desenvolvimento dos computadores. A Apple foi criada em 1977, mesmo ano em que era lançado Star Wars. Nessa época, ele destaca que toda sua pesquisa era feita manualmente na biblioteca e admite: “Apesar de estar cercado por dezenas de milhares de obras, não me lembro de sentir a ansiedade sintomática do que hoje chamamos de “sobrecarga de informação”.

Ele passa a relatar a compra do seu primeiro computador pessoal. Com o tempo, a ferramenta que era utilizada apenas para o trabalho, tornou-se prática em casa também. Quando escrevia, preferia imprimir e fazer correções, antes de digitar novamente. Com o passar do tempo, se acostumou a fazer tudo no computador. Foi uma transição.

CAPÍTULO 3 – FERRAMENTAS PARA A MENTE

A humanidade passou por diversas fases de amadurecimento intelectual, como uma criança. Nos primórdios, os desenhos ou mapas eram em duas dimensões, simplificados, muito literais. Depois, foi se tornando cada vez mais abstrato, com diversos símbolos que precisavam ser decodificados.

“O processo intelectual de transformar experiência em espaço em abstração do espaço é uma revolução no modo de pensar”

A história da cartografia é similar. No princípio, os mapas eram gravados na mente. Quando começaram a ser desenhados, eram muito simples e literais. Não ajudavam tanto. Com o desenvolvimento de ferramentas, como a bússola, os mapas se tornaram mais sofisticados. Haviam símbolos e o desenho era uma representação abstrata de uma realidade física.

Passamos da percepção infantil do mundo, egocêntrica e puramente sensorial, para a análise juvenil da experiência, mais abstrata e objetiva”

Quanto mais o tempo passava, o realismo tornava-se científico tanto na precisão quanto na abstração”. O resultado foi a alteração no modo de pensar e ver o mundo. A mente se adaptou ao formato dos mapas e passou a entender a realidade por meio dos símbolos que existem nele. Esse processo de redução da realidade e analogia é uma consecução do pensamento abstrato de altíssima ordem. 

Outra invenção que alterou a mente foi o relógio. A vida era dominada por um ritmo lento, agrícola, descuidado com o tempo. Nos mosteiros, monges começaram a exigir maior pontualidade. São Bento exigiu que os seus seguidores fizessem 7 orações em momentos específicos do dia. Alguns séculos depois, monges preocupados com a exatidão do tempo, investiram no desenvolvimento da cronometragem.

Vieram, então, os relógios mecânicos. O badalar dos sinos tornou-se um demarcador de intervalos para os moradores do entorno. Isso mudou o ritmo das atividades. Com o desenvolvimento do comércio e da indústria, tornou-se necessário a padronização das medições do tempo. No século XIV, toda cidade já tinha seu relógio de torre.

A tecnologia foi sendo aprimorada e vieram relógios menores, para uso doméstico. Por fim, criou-se os relógios de pulso. A vida agora era controlada pelo tempo em qualquer lugar. O ritmo da sociedade mudara e a forma de pensar também. O relógio fez a humanidade pensar de forma mecanicista e metódico. Também fortaleceu o conceito de que o mundo é como um grande relógio, cujo relojoeiro é Deus, e as regras da natureza já foram fixadas, cabendo a nós compreendê-las.

O autor destaca quatro grandes grupos de invenções. O primeiro abrange aquelas que ampliam a força física, destreza e flexibilidade, como o arado, a agulha e as armas de caça. O segundo grupo envolveria aquelas tecnologias que ampliam o alcance e a sensibilidade dos sentidos. Por exemplo, o microscópio e o telescópio aumenta os limites da visão.

Um terceiro grupo seria englobado pelas ferramentas que permite-nos mudar a natureza para melhor servir nossas necessidades e desejos, como o açude ou pílula anticoncepcional. E, por fim, o quarto grupo seriam aquelas invenções que ampliam nossos poderes mentais. Em outras palavras, são “tecnologias intelectuais”. Elas nos ajudam a encontrar e classificar informação, formular ideias, realizar cálculos e expandir a capacidade da memória. Ábaco, máquina de escrever, escola, jornal, computador e Internet são exemplos.

“São nossas tecnologias intelectuais que têm o poder maior e mais duradouro sobre o quê e como pensamos”

“Toda tecnologia intelectual incorpora uma ética intelectual, um conjunto de suposições sobre como a mente humana funciona ou deveria funcionar”. E nos acostumamos com a nova forma de pensar a tal ponto que estranhamos a anterior. Elas se tornam referências de inteligência. Porém, nem sempre o inventor se apercebe dos efeitos de longo prazo de suas invenções. 

Os efeitos das novas tecnologias se tornaram alvo de muitas discussões filosóficas. Existe uma tendência “determinista”, que vê a tecnologia como mestre e que é independente. Além disso, as tecnologias alteram drasticamente o curso da história humana. Em contrapartida, existe a visão instrumentalista, que afirma que as ferramentas não nos controlam e que depende apenas de nós os efeitos que elas poderão ter no mundo.

“Se a experiência da sociedade moderna nos mostra alguma coisa”, observa o cientista político Langdon Winner, “é que as tecnologias não são meros auxiliares à atividade humana, mas sim forças poderosas agindo para reformular essa atividade e seu significado.”

Às vezes, nossas ferramentas fazem o que mandamos; outras vezes, nós é que nos adaptarmos às exigências delas”

Mas há uma coisa em que ambos concordam: os avanços tecnológicos muitas vezes marcam momentos decisivos na história  Em grande medida, a civilização assumiu sua forma atual como resultado das tecnologias que as pessoas passaram a usar.

Nicholas Carr entra na questão da neurociência. As pesquisas comprovam a neuroplasticidade da mente, ou seja, a capacidade dos neurônios de serem reorganizados de acordo com as novas circunstâncias e usos externos. Elas são mais fáceis de ser demarcadas e compreendidas, facilitando o estudo do desenvolvimento da inteligência. “Hoje sabemos não só que é provável que o uso de tecnologias intelectuais
tenham (re)modelado o circuito em nossas cabeças, mas que tinha de ser assim…
Também sabemos agora que as mudanças no cérebro estimuladas pelo uso dos mapas poderiam ser utilizadas para outros fins, o que ajuda a explicar como o pensamento abstrato, em geral, pôde ser promovido pela difusão do trabalho dos cartógrafos”. 

As novas tecnologias alteram não apenas nossas rotinas, mas também nossa comunicação. Novas analogias são construídas, pois, afinal, são criadas nossas referências simbólicas. Os mapas e os relógios se tornaram analogias para muitos fenômenos.  Portanto, elas alteraram nossas palavras.

A própria escrita causa alterações na mente. Dependendo do idioma, diferentes áreas do cérebro são ativadas. Textos como os ideogramas exige uma atividade cerebral diferente dos que utilizam o alfabeto romano. Isso explica a evolução da linguagem. Os primeiros idiomas escritos foram desenvolvidos pelos sumérios e pelos egípcios. Eram muito complexos e exigiam uma extensa decodificação, o que limitava seu uso e a quantidade de pessoas que conseguiam entendê-los.

Os gregos desenvolveram o alfabeto logossilábico. Este formato mudou significativamente o modo de pensar. Eles também discutiram bastante o papel da escrita. Nos textos de Platão, Sócrates dizia ser totalmente contrário ao uso da escrita, pois, na visão dele, a mente humana ficaria limitada. Com o tempo, perderíamos todas as lembranças. Platão já não era de acordo com seu mestre e, de fato, graças ao fato dele ter escrito seus textos e não confiado na memória oral que permitiu que o lêssemos atualmente.

O mundo oral de nossos ancestrais distantes pode muito bem ter tido uma profundidade emocional e intuitiva que hoje não mais se aprecia”

Essa tensão era reflexo de uma transição da cultural oral para a escrita. ” Em uma cultura puramente oral, o pensamento é regido pela capacidade da memória humana”. Não é para menos que se fazia amplo uso da poesia, da rima e da música para memorizar conhecimento. A escrita mudou a forma de se usar a mente, pois as demandas eram outras.

[Fichamento] O Culto do Amador

SOBRE O AUTOR

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Andrew Keen é um escritor norte-americano. Formou-se em História pela London University, Inglaterra, e fez pós-graduação em Ciência Política na Universidade Berkeley, EUA. Tornou-se conhecido pelo termo “anticristo do Vale do Silício”, por ser um ferrenho crítico da web 2.0 e das revoluções tecnológicas.

Seu livro O CULTO DO AMADOR (2007) critica de forma extensiva ao elevado entusiasmo pela produção compartilhada na Internet, a Wikipédia, conteúdos criados por amadores, entre outros. Em seguido, publicou o VERTIGEM DIGITAL. Este foca nas redes sociais e destaca os danos psicológicos e a erosão da privacidade como consequências.

O CULTO DA EMOÇÃO

INTRODUÇÃO

O autor começa falando sobre o teorema do macaco infinito. Essa teoria de caráter evolucionista diz que se colocarmos infinitas máquinas de escrever com infinitos macacos, poderá sair uma obra a la Shakespeare ou Platão. Porém, a maioria do material produzido será completamente inútil. O mesmo está acontecendo na web 2.0.

As consequências é o que ele chama de “achatamento da cultura”. Diz que vivemos numa interminável floresta de mediocridade. “Pois os macacos amadores de hoje podem usar computadores conectados em rede para publicar qualquer coisa, de comentários políticos mal informados a vídeos caseiros de mau gosto, passando por música embaraçosamente mal acabada e poemas, críticas, ensaios e romances ilegíveis”.
Ele também faz duras críticas aos intermináveis blogs que se proliferam pelo mundo virtual. ” Hoje em dia, as crianças não sabem distinguir entre notícias críveis escritas por jornalistas profissionais objetivos e o que leem em fulano.blogspot.com”. É como guias cegos. Um ciclo interminável de desinformação e ignorância.

A “sabedoria” das massas é algo questionável. Os sites não editados, como o Digg e o Reddit, são um espelho de nossos interesses mais banais. As redes sociais são uma mentira. “Eles se dizem devotados à interação social, mas na realidade existem para que possamos fazer propaganda de nós mesmos… Não surpreende que autopropagandas de crescente mau gosto tenham levado a uma infestação de predadores sexuais e pedófilos anônimos“.

A mídia tradicional está ameaçada pela pirataria virtual. Isso resulta na falência de empresas e, portanto, em diversas pessoas desempregadas. Ele questiona: “O que acontece, poderíamos nos perguntar, quando a ignorância se mistura ao egoísmo, ao mau gosto e à ditadura das massas?” E responde: ” No atual culto do amador, os macacos é que dirigem o espetáculo”.
CAPÍTULO 1 – A GRANDE SEDUÇÃO

Andrew Keen relata a sua conversão de ferrenho defensor da Internet tal qual existe para crítico. “Mas meu sonho de tornar o mundo um lugar mais musical caíra em ouvidos moucos; a promessa de usar tecnologia para levar mais cultura às massas fora abafada pelo grito coletivo dos membros do FOO Camp [amigos de O’Reilly] por uma mídia democratizada”. Estes possuem uma fé messiânica de mudanças econômicas e sociais por meio da web 2.0.

A suposta democratização da mídia na verdade seria a sobrevivência dos mais ruidosos. Na visão de Keen, a ideia da “cauda longa”, proposta por Chris Anderson, tem diversas falhas. “Porque a democratização, apesar de sua elevada idealização, está solapando a verdade, azedando o discurso cívico e depreciando a expertise, a experiência e o talento. Como observei antes, está ameaçando o próprio futuro de nossas instituições culturais”.

O conceito da cauda longa é sedutor, mas ilusório. Ela compromete a produção cultura de qualidade. Antes, haviam os “guardiões da cultura”. Mas, na sociedade do amadorismo, todos são “criadores”. Na verdade, constitui um “caos de informação inútil”. ” Para citar Richard Edelman, o fundador, presidente e CEO da Edelman PR, a maior empresa privada de relações públicas do mundo: “Nesta era de tecnologias de mídia em explosão não existe nenhuma verdade exceto aquela que você cria para você mesmo””.

Os blogs são produzidos sem qualidade. Reverberam mentiras. São inimigos da verdade. Não há editores, produtores, jornalistas, especialistas que identifiquem materiais de qualidade. Os benefícios da Wikipédia são duvidosos. Qualquer um pode escrever, sem garantia de nada. ” Num mundo com cada vez menos editores ou revisores profissionais, como vamos saber o que acreditar e em quem acreditar?

Os motores de busca como o Google sabem mais sobre nossos hábitos, nossos interesses, nossos desejos do que nossos amigos, nossos entes queridos e nosso psiquiatra juntos”. Temos que confiar que ele não revelará nossos segredos, apesar de sabermos claramente que eles já o fazem. 

Depois, ele faz duras críticas ao projeto de Lawrance Lessig, a Creative Commons, uma fundação que permite a criação de licenças abertas ou semiabertas. “Em um mundo no qual plateia e autor são cada vez mais indistinguíveis, e onde a autenticidade é quase impossível de ser verificada, a ideia original de autoria e propriedade intelectual tem sido seriamente comprometida”.

Andrew Keen também critica os wikirromances. Essa produção coletiva, a seu ver, compromente a qualidade do processo criativo. E o resultado não é algo significativo. A “morte do tradicional texto solitário” representa o fim da produção cultural de real valor para o conhecimento humano.

O CUSTO DA DEMOCRATIZAÇÃO

A proliferação de projetos coletivos de livros, filmes e etc na verdade obscurecem a verdade e a criatividade. Por serem grátis, também não trazem retorno financeiro significativo. Os que recebiam por produção especializada estão sofrendo com os materiais grátis disponíveis na Internet. Os blogs e as wikis estão dizimando as indústrias da publicidade, da música e da informação, que criaram o conteúdo original do “conteúdo” desses sites.

Na Web, onde todos têm voz igual, as palavras do sábio valem mais do que os murmúrios de um tolo…  Cultivar talento exige trabalho, capital, competência, investimento. Requer a infraestrutura complexa da mídia tradicional… Mas quanto mais conteúdo auto criado é despejado na Internet, mais difícil fica distinguir o bom do ruim – e fazer dinheiro com dele“.

Ele retorna ao conceito da “cauda longa”. Faz mais críticas:”Quanto mais especializado o nicho, mais estreito o mercado. Quanto mais estreito o mercado, mais curto o orçamento de produção, o que compromete a qualidade da programação, reduzindo ainda mais o público e alienando os anunciantes”. 

Um cartoon da revista New Yorker, em 1993, mostrava um cachorro usando a internet e dizendo para seu amigo que ninguém no mundo virtual sabe que ele é um cachorro. “Na era da autopublicação, ninguém sabe se você é um cão, um macaco ou o coelhinho da Páscoa. Todo mundo está tão ocupado se autodifudindo (egocasting), imerso demais na luta darwiniana pela compartilhamento da mente, para dar ouvido ao outro”

 

 

 

 

 

 

[Fichamento] A Cultura Livre

Sobre o autor

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Lester Lawrence “Larry” Lessig III (mais conhecido como Lawrance Lessig) nasceu em 3 de junho de 1961 em Rapid City, Dakota do sul, EUA. É escritor, ativista político e professor. Leciona no curso de Direito da Universidade de Havard e é diretor do Edmond J. Safra Center for Ethics at Harvard University. Candidatou-se para ser o representante do Partido Democrata para as eleições presidenciais dos EUA de 2016, mas desistiu de participar nas preliminares.

Lawrance foi um dos criadores do Creative Commons. A Creative Commons é uma organização não governamental sem fins lucrativos norte-americana. Seu mote é a expansão da quantidade de obras criativas disponíveis, através de suas licenças que permitem a cópia e compartilhamento com menos restrições que o tradicional copyright. Também é grande defensor da internet livre, do direito à distribuição de bens culturais, da produção de trabalhos derivados e do fair use.

O livro A Cultura Livre (lançado em 2004) retrata bem a temática dos projetos  de Lawrance Lessig. Nesta obra, ele discursa sobre a origem dos direitos de propriedade intelectual. Mostra como as grandes empresas que atualmente reclamam de quem viola os direitos autorais também copiaram diversas obras para conseguir o status que possuem atualmente. Ele aprofunda o conceito de pirataria, mas não visa defender crimes, porém, colocar em cheque alguns pontos basilares do que é definido como pirataria.

A CULTURA LIVRE

CAPÍTULO 1 – CRIADORES

Lawrance Lessig inicia a discussão com o caso da Disney. Sua primeira obra de sucesso, Steamboat Willie, lançada em 1928, contou com desenho animado e música sincronizada. Porém, ela é uma paródia de um filme de comédia lançado no mesmo ano, Steamboat Will Jr, de Buster Keaton. O que Walt Disney fez basicamente pode ser chamado de derivação de outra obra.

O mesmo ele fez nos anos seguintes, com as diversas histórias dos irmãos Grimm. Os contos originais eram de conteúdo pesado e muitos pais jamais as contariam para seus filhos. Porém, Walt Disney adaptou e desenvolveu os famosos contos de fadas, adicionando efeitos de som e de luz. Com o passar do tempo que ele desenvolveu as técnicas que diferenciariam a empresa das outras.

Na época, a duração do copyright era de 30 anos, em média. “A maior parte do
conteúdo do século 19 estava livre para a Disney usar e basear-se nele em 1928… Porém, atualmente, o domínio público só existe presumivelmente para conteúdos de antes da Grande Depressão

Depois, o autor destaca o caso dos doujinshi, que são mangás derivados de outros mangás. Doujinshi não é simplesmente uma cópia; o artista precisa fazer uma contribuição para a arte que ele copia, transformando-a de forma sutil ou significativa. A pratica é difundida no Japão. Apesar de proibida, os produtores não costumam processar nenhum autor de gibi doujinshi. Na verdade, acredita-se que por causa deles que o mercado de quadrinhos japoneses é tão animado e prospera.

Uma sociedade grande e diversificada não pode sobreviver sem propriedades.”

O autor reconhece a importância do direito de propriedade. Mas ressalta que o é bom ter coisas que permaneçam livres e possam ser usadas por qualquer pessoa em uma cultura livre. As obras derivadas não são encaradas da mesma forma que os roubos. Quando se rouba um CD, é tirado o poder de vendê-lo. Não é a mesma coisa com as obras derivadas.

“Os criadores aqui e em todo lugar estão sempre e o tempo todo construindo em cima da criatividade daqueles que vieram antes e que os cerca atualmente.” Mas, o que Lessig destaca é o quão livre é uma cultura.  “Culturas livres são culturas que deixam uma grande parcela de si aberta para outros poderem trabalhar em cima; conteúdo controlado, ou que exige permissão, representa muito menos da cultura. A nossa cultura era uma cultura livre, mas está ficando cada vez menos livre”.

CAPÍTULO 5 – “PIRATARIA”

O autor afirma não defender a pirataria que toma o que legalmente está protegido. Não está promovendo o crime no livro. Porém, a lei que proíbe a “pirataria” é ambígua. É necessário aprofundar o entendimento do que essa palavra significa, os envolvidos e os efeitos que causam.

Existe sim a pirataria de material sob copyright.”

 

PARTE 1

A pirataria é crime. Isso é um fato. Porém, os EUA passaram 100 anos depois da independência permitindo uso de obras estrangeiras sem permissão. Era considerado algo certo. Não ia preso. De fato, não era crime no país. O mesmo não ocorre com os países asiáticos e, em especial, com a China.

Nós poderíamos tentar argumentar que essa pirataria em geral não causa prejuízo à indústria”. As pessoas que compram produtos piratas talvez nunca pudessem comprar o original, devido ao preço ou indisponibilidade na região. Portanto, ninguém está perdendo dinheiro, de fato.

Também não pode se comparar com um livro roubado de uma livraria. O download de um arquivo é bem diferente de retirá-lo da loja. Quando você pega um livro, é um a menos na prateleira para vender. Quando se faz download de um livro na internet, ele continua disponível para venda. São situações bem diferentes.

Outro argumento é que a pirataria às vezes é benéfica para os produtores. Eles se valem da estratégia do vício. Por exemplo, muitos pirateiam o sistema operacional Windows. Apesar de representar vendas a menos, cria-se uma cultura de usuários acostumados a este sistema. Em outras palavras, eles se tornam presos a ele, gerando mercado ainda maior para a Microsoft. Porém, como o autor destaca, “nós não justificamos o alcoólatra quando ele rouba sua primeira cerveja meramente porque isso irá garantir que ele compre as próximas três”.

PARTE 2

A chave para a “pirataria” que a lei quer reprimir é o uso que “prive do autor a sua renda”. E o sistema de peer-to-peer (P2P) tem sido considerado um inimigo, pois ele permite aos usuários a disponibilização de conteúdo para qualquer outro internauta. Porém, pesquisas revelam que muitos desses indivíduos são crianças. Portanto, é difícil calcular o real prejuízo do compartilhamento por P2P.

Lawrance ressalta a diversidade de usuários que “pirateiam”. Existe “piratarias” e “piratarias”. No livro, ele divide em quatro categorias:

A – “Esses são aqueles que usam as redes P2P como substitutos para a compra de conteúdo”. Eles podem comprar, mas preferem a opção gratuita ou mais barata. Esse tipo é claramente prejudicial.
B – “Há alguns que usam as redes de compartilhamento de arquivos para experimentarem música antes de a comprar”. Eles são potenciais compradores e, por isso, o grupo da “pirataria” que trás mais retorno financeiro para as empresas. Continua sendo ilegal, mas é claramente benéfico.

C – “Há muitos que usam as redes de compartilhamento de arquivos para conseguirem materiais sob copyright que não são mais vendidos ou que não podem ser comprados ou cujos custos da compra fora da Net seriam muito grandes”. Eles não causam prejuízo, pois, afinal, o produto nem estava mais disponível no mercado. Ainda assim é considerado ilegal. Porém, é bom para a sociedade e não causa prejuízo aos artistas.

D – Finalmente, há muitos que usam as redes de compartilhamento de arquivos para terem acesso a conteúdos que não estão sob copyright ou cujo dono do copyright os disponibilizou gratuitamente”. Portanto, não interferem no lucro de nenhuma empresa e é claramente legal perante a lei.

A partir daí, o autor usa diversos dados da RIAA de 2002 para mostrar que os compartilhamentos não podem ser acusados como únicos culpados pelos prejuízos das gravadoras. Afina, eles afirmam que tiveram redução de vendas, mas não levam em contra outros fatores. Por exemplo, na mesma época, eles produziram 20% menos CDs, estes tiveram elevação do preço de 7,2%.

Além do mais, eles estimaram que foram baixados gratuitamente 2,1 bilhões de álbuns na Internet. Se os dados forem verdadeiros, como um número tão alto de “pirataria” (2,6 vezes o número de CDs vendidos) tenha gerado um prejuízo tão pequeno (6,7%)? Os números comprovam que baixar CD não é o mesmo que roubar um.

Existe uma grande diferença entre “copiar uma música da Internet e roubar um CD

No caso do tipo C, que baixam materiais não disponíveis no mercado, o bem é para a sociedade. Não se deveria acusá-los de pirataria. Afinal, esse tipo de compartilhamento é similar ao realizado pelos sebos e bibliotecas. Ninguém exige desses ambientes o direito de copyright nem precisam pagar taxa alguma para os donos do direito de propriedade intelectual.

Lessig passa a tratar da importância do equilíbrio nas leis sobre o copyright. Uma tecnologia velha não pode impedir o crescimento da nova. Mas, é isso que algumas gravadoras e estúdios de filmes tentaram fazer ao longo da história norte-americana. Para ele, é necessário fazer as seguintes perguntas: Quanto a sociedade ganha com o uso de redes P2P? Quais são os resultados? Que tipo de conteúdo é esse que de outra forma não estaria disponível?” Não ficar apenas a mercê do conceito das empresas de valor perdido.
A lei está tentando barrar o sistema P2P. Não está sendo equilibrada ao ter exigido da Napster, por exemplo, que garantisse que 100% dos seus arquivos obedecessem as leis de copyright. Isso é o mesmo que exigir 100% dos videocassetes, máquinas de fotocópia e armas de fogo sejam usadas dentro da lei. É impossível. Precisa ter equilíbrio.

O caso dos VCR (Video Cassette Recorder) é um exemplo destacado pelo autor. Esse equipamento permitia que os usuários gravassem qualquer coisas que aparecesse na TV, como programas e filmes. Na época de sua criação, as empresas de Hollywood entraram na justiça, argumentando que o equipamento da Sony (o Betamax) violava os direitos de propriedade, causava prejuízo e, portanto, o eletrônico deveria ser proibido. Irônico que, tempos depois, pesquisas mostrariam o seguinte: “45% dos donos de videocassetes iriam possuir bibliotecas de dez filmes ou mais”.
betamaxA Suprema Corte votou contra a apelação das empresas de Hollywood. Ela disse: “As políticas justas, assim como nossa história, apoiam nossa consistente deferência ao Congresso quando inovações tecnológicas importantes alteram o mercado de materiais sob copyright. O Congresso tem a autoridade constitucional e a habilidade institucional para acomodar completamente todas as variadas permutações de interesses antagônicos que estão inevitavelmente envolvidos em tal tecnologia nova”.

Em nenhum desses casos as cortes ou o Congresso conseguiram eliminar todos os abusos. Em nenhum desses casos as cortes ou o Congresso insistiram que a lei deveria assegurar que o detentor do copyright tivesse retorno total sob seu copyright. Em todos os casos, os detentores de copyright reclamavam de “pirataria”. Em todos os casos, o Congresso atuou reconhecendo alguns direitos aos “piratas”. Em todos os casos, o Congresso permitiu à uma nova tecnologia beneficiar-se do conteúdo criado anteriormente a ele.”

 

A rede não deveria tornar-se uma ferramenta para “roubar” conteúdo de artistas. Mas também a lei não deveria tornar-se uma ferramenta para entrincheirar-se uma forma específica pela qual os artistas (ou mais precisamente) deverão ser pagos.” Para o autor, é necessário que haja equilíbrio entre os diversos interesses, mas de forma tal que beneficie a maior parte da sociedade e promova a inovação.

 

 

 

 

 

[CiberGuia] Web Documentário

CiberGuia é um projeto colaborativo dos alunos para a criação de um dicionário de termos sobre a Internet. Sem usar linguagem muito técnica, com termos pouco conhecidos, o ciberguia ficará disponível em pdf para o público. O objetivo é promover o conhecimento, tornando-o o mais acessível possível para todos.

Webdocumentário. É um formato de narrativa multimídia utilizado na Internet. Suas principais características são a interatividade e a não linearidade. Surgiu na década de 1990, quando da popularização da Internet, mas ganhou maior destaque com o surgimento das redes sociais e dos projetos colaborativos na rede.

O webdocumentário segue alguns princípios do formato documentário. Pretende explanar com maior profundidade algum tema. Faz uso de uma diversidade de materiais para servir como provas, ou documentos, garantindo a credibilidade da apuração da informação.

Porém, diferentemente do documentário, o webdoc é interativo e não linear. Entende-se por interatividade a possibilidade que o usuário tem de interferir no conteúdo e na forma como a comunicação é transmitida. A audiência deixa de ser passiva e passa a influenciar o comportamento do produto. Um exemplo comum é o uso de câmeras 360º. O usuário tem a liberdade de girar para o lado que deseja e, dessa forma, tem a impressão de que está no ambiente.

A interatividade gera uma nova relação entre o produtor e o consumidor. Nos modelo tradicional de documentário, a audiência apenas recebe as informações, no formato que o diretor quer e com a visão que ele quer. Mas, ao fazer uso da interatividade, eles possuem menos controle sobre o que o usuário vai olhar, pois este escolhe o que quer ver e como deseja fazê-lo.

Além disso, a interatividade também envolve a construção participativa do conteúdo. Isso significa que o webdoc pode receber comentários, fotos e vídeos dos usuários. Em alguns projetos, o trabalho é feito de maneira totalmente colaborativa, cabendo aos produtores apenas construir a plataforma e a temática do webdoc.

Uma das principais consequências da interatividade é a não linearidade. Essa é outra característica fundamental do webdoc. Para entender o que é não linearidade, basta lembrar dos documentários tradicionais. Geralmente, são vídeos que possuem uma narrativa padrão: começo, meio e fim. É um texto, em seu pleno sentido, trazendo um problema na introdução, discorrendo sobre ele no meio e trazendo um resultado ou conclusão no final.  Ao usuário, cabe apenas acompanhar atentamente a discussão. Isso é linearidade.

A não linearidade se caracteriza pela diversidade de caminhos a seguir. É dado ao usuário a liberdade de escolher o que acessar, quando acessar e a forma como o fará. Os produtores do webdoc não controlam ou direcionam os interagentes. Apenas disponibilizam os conteúdos.

Essa característica é relacionada com a diversidade de mídias inseridas no webdoc. Ao invés de apenas ter um vídeo explicativo, o usuário vê diante de si a possibilidade de embarcar num emaranhado de formatos, como áudios, fotos e textos. Basta um clique para ele ver, por exemplo, o detalhe de um perfil de um entrevistado, talvez incluindo vídeos, fotos antigas ou apenas o áudio da conversa dele com os documentaristas.

O webdocumentário também é participativo. Isso quer dizer que vídeos, fotos e outras informações podem ser incluídas pelos próprios usuários, enriquecendo o material. O projeto Graffiti, produzido pelo Doctela. O mote é o mapeamento dos grafites na cidade de São Paulo.

Ele é colaborativo, pois depende dos usuários para conseguir mapear todos os exemplos de graffiti na cidade. Por meio do Google Maps, os colaboradores podem marcar a posição das pinturas. Além disso, vídeos curtos com entrevistas com grafiteiros são postados. Ele possui um caminho, pois são episódios, porém, cabe à audiência escolher o que ver e em que ordem.

Outro webdocumentário interessante é o Impaciente. Foi produzido na Colômbia e visa denunciar os problemas enfrentados pelos usuários do sistema público de saúde do país. Um game interativo faz com que o participante se sinta e perceba a burocracia e a demora para conseguir atendimento. Como ele mesmo diz na introdução, você deve tomar as melhores decisões e lembrar que nem todos os caminhos levam ao objetivo que seria ficar curado.

Apesar de ser no formato de game, o webdoc apresenta dados reais. A simulação ou encenação estão presentes em diversos documentários tradicionais ou em reportagens. Não compromete a garantia de verdade. A gamificação é uma técnica que vem ganhando espaço em muitos projetos de webdocumentário. Porém, o entretenimento é um meio para chegar a um fim: que é informar as pessoas.

Outro ponto característico do webdoc é a adaptação ao formato de Internet. Principalmente, no que se refere ao tempo de concentração dos internautas. Vídeos curtos são preferíveis aos longos. A interatividade também tem como intenção aumentar o período de permanência do usuário no site. Visto que o mundo virtual criou uma geração acelerada, é importante que os produtores pensem nessa questão na hora de projetar um webdocumentário.

Em suma, o webdocumentário é um formato expandido dos modelos televisivos e jornalísticos. Se caracteriza pela interatividade e por um projeto não linear. Os usuários podem ser colaboradores, enviando fotos e vídeos. Todos esses elementos são utilizados de forma apropriada, seguindo as diretrizes do jornalismo, que é apurar as informações, noticia-las e garantir sua credibilidade.

Sobre o aluno:

Alexandre Valério Ferreira. Graduado em Engenharia Elétrica pela UFC. Voltou para a mesma e esta cursando Jornalismo. Pretende se formar em 2018. Gosta de fotografar, escrever e assistir Friends. Nunca deixou de ler matérias sobre ciência, principalmente a respeito de Astronomia. Sonha em ser escritor profissional.

 

 

[Fichamento] Crítica da Cultura de Convergência: participação ou cooptação?

Sobre o autor

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Alex Primo é pesquisador de Cibercultura e Mídias Sociais, vlogueiro, blogueiro. Possui título de Doutor em Informática em Educação pela UFRGS e de Mestre em Jornalismo pela Ball State University. É graduado em Publicidade Propaganda. Atualmente, ministra aulas na pós-graduação da UFRGS, é bolsista em produtividade pela CNPq e desenvolve pesquisa sobre interações em redes sociais.

Publicou o livro “Interação Mediada por Computador: comunicação, cibercultura, cognição” (2010). Atualmente, coordena o Laboratório de Interação Mediada por Computador (LIMC). Também é consultor de mídias sociais e realiza palestras na área. Atualmente pesquisa processos de colaboração e conversações online. Possui canal no Youtube: Alex Primo.

Crítica da Cultura de Convergência: participação ou cooptação?

Publicado em 2008, o livro Cultura de Convergência, escrito por Henry Jenkins, enfatiza que o fenômeno da convergência é, não apenas tecnológico, mas também cultural. Nessa nova cultura, a indústria cultural constrói e é construída pela audiência. Jenkins destaca o exemplo das fan fictions, que se apropriam de um conteúdo de mídia e constroem uma narrativa própria.

Henry Jenkins mostra diversos exemplos de convergência cultural. Um caso marcante é da trilogia Matrix. Lançada em em 1999, The Matrix criou uma legião de fãs. Por meio da rede, esses fãs puderam trocar muitas informações acerca da narrativa do filme. Eles se apropriaram do produto cultural e o expandiram. Chegou ao ponto de levarem a criação de outros produtos, como o filme Animatrix.

O processo de transmídia é outra característica da cultura de convergência. Ela ocorre quando uma história se desdobra em múltiplas plataformas. O autor da obra destaca também que as comunidades de conhecimento são o centro do processo de toda a convergência de popular da mídia. Eles querem ser participantes da criação dos produtos culturais. Não são meros elementos passivos.

Entende-se, portanto, que a cultura de convergência é uma forma de resistência. Na medida em que os usuários do mundo virtual criam novas narrativas sobre a lançada pela grande mídia, eles estariam sendo subversivos e fugindo ao controle dos tentáculos da grande mídia.

DIFERENTES CONVERGÊNCIAS

Alex Primo destaca nessa parte de seu livro que as coisas não são tão bonitas como Jenkins retrata. Ele problematiza diversos aspectos da cultura de convergência e destaca pontos que ficaram esquecidos por Henry Jenkins. Mas, antes de chegar nesse ponto, ele explica como o processo de convergência ocorre.

Ele ressalta que a convergência não é um fenômeno novo. Também argumenta que ela não ocorre com a destruição de outras mídias. Cita o caso do rádio, que resiste até hoje. Porém, não funciona como no princípio. Toda tecnologia nova de comunicação interfere nas antigas e estas se reconfiguram. Não é para menos, portanto, que observamos o design de revistas e programas de TV muito similares ao de tablets ou da própria web.

Outra questão importante é que a convergência não é apenas técnica. As inovações tecnológicas modificam o homem tanto quanto ele a modifica. A mídia modifica a cultura e é por esta modificada. Um exemplo dessa relação dual nas constantes referências na TV ao teatro e ao cinema. Ou no caso da Internet embasando seu conteúdo nas outras mídias.

“Convergência representa uma transformação cultural à medida que consumidores são incentivados a procurar novas informações e fazer conexões em meio a conteúdos de mídia dispersos.” (Henry Jenkins)

CONVERGÊNCIA COMO FENÔMENO DA CIBERCULTURA

O tema central de Jenkins é a simbiose entre a cultura dos fãs e a indústria do entretenimento. Fenômeno já ocorria, porém ele é catalisado pela Internet. A pressão do público ganha maior escala. A troca de informações entre os membros cresceu vertiginosamente com o fácil acesso às tecnologias e deu a eles maior liberdade para se expressarem e produzem conteúdo. Antes, a liberdade de expressão – na prática – existia apenas para a grande mídia.

A Internet em si não trouxe a convergência cultural. Esta ganhou proeminência com a chamada web 2.0, que é “marcada pela transição do foco na publicação (a primeira geração da web) para a participação coletiva”. O user-generated content (produto gerado por consumidor) se tornou mais atraente, carregando para si um grande público. A cultura participativa apareceu como resultado da nova tecnologia, que fortaleceu a interação entre grupos de fãs. Essa cultura gerou produtos, como as fan fictions, legendas de filmes e traduções de livros). De fato, para Jenkins,  “a inteligência coletiva pode ser vista como uma fonte alternativa de poder midiático”.


CONVERGÊNCIA OU COOPTAÇÃO?

Alex Primo, ao contrário do autor de Cultura de Convergência, percebeu que o fenômeno não é exatamente uma forma de “resistência”. Se o aspecto político existia no início, ele se perdeu em algum momento. Para ele, essa produção participativa tem sido bem aproveitada pela indústria do entretenimento.

Havia uma utopia segundo a qual a cultura participativa acabaria com a hegemonia da grande mídia. Visão esta celebrada por Jenkins. Mas, ele ignora o seguinte fato: os grupos de fãs não estão criando produções alternativas aos temas da grande mídia, mas reciclando os produtos já criados por ela. Em outras palavras, eles os reciclam.

Se assim o é, então a grande mídia não está ficando para escanteio. Ela está se reinventando, isso é fato. Criaram mais canais para ouvir os fãs e estão mais atentos ao que eles estão produzindo. Por essas e outras, eles não podem ser chamados de “mídia radical”. Afinal, eles estão reproduzindo e ampliando o alcance dos produtos midiáticos da grande indústria.

Para Alex Primo, esses fãs podem ser denominados de consumidores ativos. Eles realizam trabalho gratuito para a alta mídia. Apesar da maior interferência deles, a hegemonia das grandes indústrias não foi comprometida por inteiro. O que se observa é “maior interdependência” entre consumidor e produtor.

Não basta analisar apenas os movimentos que fazem convergir interesses da indústria e o prazer das audiências” (Alex Primo)

Para o pesquisador, é necessário uma pesquisa mais aprofundada a fim de compreender os diversos efeitos da cultura de convergência. Ele nota que, de fato, existem processos de resistência. Exemplos claros são os casos de pirataria, as aplicações do Twitter em revoluções e uso de blogs em regimes ditatoriais.

 

REFERÊNCIAS:

MATSUZAKI, Luciano Yoshio. Jenkins: a cultura da participação. In: Cláudia Castelo Branco, Luciano Yoshio Matsuzaki. Olhares da Rede. São Paulo: Momento Editorial, 2009.

PRIMO, Alex . Crítica da cultura da convergência: participação ou cooptação. In: Elizabeth Bastos Duarte, Maria Lília Dias de Castro. (Org.). Convergências Midiáticas: produção ficcional – RBS TV. Convergências Midiáticas: produção ficcional – RBS TV. Porto Alegre: Sulina, 2010, p. 21-3.

 

[Fichamento] Wikinomics: : Como a Colaboração em Massa Pode Mudar o seu Negócio

Sobre os autores

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Don Tapscott nasceu em Toronto, Canadá, em 1º de setembro de 1947. É um escritor , pesquisador e palestrante canadense. Atua como chefe executivo da New Paradigm, empresa de consultoria em estratégia e banco de dados coletivos. É professor da Rotman School of Managment, Universidade de Toronto. Publicou uma dezena de livros, incluindo alguns que se tornaram best-sellers, como Capital Digital, A empresa transparente e Economia Digital. (Veja uma palestra dele no TED)

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Anthony D. Williams é diretor de pesquisa da empresa New Paradigm. Ele atua nas áreas de estratégia, inovação e propriedade intelectual. Obteve título de Mestre em Pesquisa em Ciência Política pela London School of Economics. É fundador e CEO da empresa Anthony D. Williams Consultoria. Mora atualmente em Londres, Inglaterra.

Publicado em dezembro de 2006, Wikinomics logo se tornou um best-seller nos EUA. O livro trata das empresas de colaboração de massa e projetos em código aberto, como a Wikipédia, conseguiram se estabelecer e crescer. Também discute sobre os casos do sistema operacional Linux e o Apache. A seguir, apresentarei o fichamento do primeiro capítulo da obra.

Capítulo I – Wikinomics

A ARTE E A CIÊNCIA DO PEERING

Os autores começam falando do caso do diretor geral da Goldcorp Inc. Rob McWen enfrentava um grande desafio: não tinha experiência real na indústria de extrativista e muito menos na mineração de ouro. Investiram US$ 10 milhões em pesquisa.”Perfurações de teste sugeriam novas e grandes jazidas de ouro”, mas não eram dados precisos.
McWen encontrou uma solução ao se inspirar no projeto do sistema operacional Linux. “Gostaria de pegar todos os nossos estudos geológicos, todos os dados que temos desde 1948, colocá-los em um arquivo e compartilhá-los com o mundo”. E fizeram um concurso cujo prêmio era de US$ 578 mil para os especialistas que encontrassem os melhores métodos e estimativas. Resultado: identificou-se 110 alvos, dos quais 50% não havia sido identificados e 80% tiveram resultados significativos. Este é um caso de saber explorar o poder da genialidade e da competência coletiva.

O NOVO MUNDO DOS WIKIMONICS

No passado, a colaboração era em pequena escala. Ocorria entre vizinhos, familiares, moradores de um povoado. Mas, as coisas estão mudando. A colaboração está atingindo novas dimensões e características. Milhares de pessoas já se unem em redes de colaboração auto-organizadas. O novo modelo de inovação e criação coletiva é chamado de peer production ou peering.

A ERA DA PARTICIPAÇÃO

As novas novas infraestruturas colaborativas de baixo custo, como a telefonia gratuita na Internet e os programas open-source, permitem que milhares de individuos e produtores criem novos produtos de forma conjunta, acessem o mercado e encantem os clientes de forma tal que antes era apenas possível à grandes empresas. Nesse novo panorama, as empresas que não se adaptarem sucumbirão.

Não existe mais um abismo entre profissionais e amadores. A blogosfera é um exemplo de uma rede auto-organizada, que vem gerando muitos conteúdos. São os “espaços digitais públicos”. Para contribuir, não precisa se gastar muito, basta ter um computador e acesso à Internet. A nova colaboração proporcionará a execução de projetos de grande utilidade pública, “como a cura de doenças genéticas, prever mudanças climáticas e encontrar novos planetas ou astros”. Um exemplo é o projeto FightAIDS@home, onde cada um pode liberar seu computador ociosos para fazer parte de uma rede global, criando plataformas computacionais mais poderosas para avaliar possíveis medicamentos para curar a AIDS.

A Wikipedia é outro caso de sucesso da colaboração auto-organizada. Com menos de uma dezena de funcionários, gerência uma enciclopédia 10 vezes maior do que a Britânica e tem quase a mesma precisão (dados da época). A empresa Procter & Gamble criou a rede InnoCentive, onde químicos podem resolver grandes desafios da empresa e receberem uma recompensa em dinheiro por isso.

Porém, David Ticoll, executivo da New Paradigm (onde os autores também trabalham), disse que “nem todos os exemplos de auto-organização são benignos ou exploráveis…  Algumas dessas inovações causam ameaças terríveis aos modelos de negócios existentes.” Os titãs da era industrial estão agora percebendo as mudanças. Seus concorrentes agora são “a massa hiperconectada e amorfa de indivíduos auto-organizados que está segurando com força as suas necessidades econômicas em uma mão e os seus destinos econômicos na outra.” As empresas inteligentes verão essa colaboração em massa como oportunidades

PROMESSA E PERIGO

A revolução nas formas de trabalhar e produzir com a nova participação tem vantagens e perigos. Por um lado, pode criar uma riqueza sem precedentes de informação e aprendizado. Por outro lado, causará grande transtornos aos que não conseguirem se adaptar ao novo panorama. Além do mais, nem sempre a colaboração tem bons objetivos, como é o caso das experiências com terroristas.

Mesmo com bons objetivos, a colaboração em massa gera ao mesmo tempo oportunidades e desafios. Por exemplo, o escritor e compositor Jaron Lanier, comentando sobre a Wikipédia, Flickr e MySpace, diz que elas “[sufocam] as vozes autênticas”, pois se funda no pressuposto do qual o “coletivo sabe tudo”.

Essa nova colaboração recebeu críticas de Bill Gates. Ele afirma que ele compromete o apoio e financiamento em pesquisas. Ele chamou esses produtores de conteúdo gratuito de “novos comunistas”. A visão de Gates é similar a de muitos grandes executivos. Mas, como dizem os autores, essa atitude reacionária é esperada, pois existem fortes interesses arraigados e ameaçados pela colaboração de massa. As mudanças ocorrerão.

“Haverá baixas, mas haverá mais vencedores do que perdedores”

O pioneiro digital Howard Rheingold destaca que a colaboração de massa que está ocorrendo não tem nada a ver com o antigo comunismo. O coletivismo não envolve coerção e controle centralizado, mas é livre e voluntária. Também é equivocado dizer que a nova ação coletiva é um risco para as empresas atuais. Pelo contrário, se bem usadas, elas podem ajudá-las bastante, acentuando o crescimento industrial. Afinal, com a coletividade de massa é possível ter acesso a muitos profissionais capacitados, a um potencial de inovação e uma série de recursos dentro e fora da empresa.

A NOVA PROMESSA DE COLABORAÇÃO

A nova promessa da colaboração é que, com o peering, exploraremos a capacidade, a engenhosidade e a inteligência humana com mais eficiência e eficácia do que qualquer outra coisa que já presenciamos.” Em vez de níveis hierárquicos cristalizados, a nova colaboração é formada por uma rede horizontal de participantes.

A rede mundial de computadores se torna, portanto, um super computador global, vivo e conectado, disponível a qualquer um. Nessa nova dinâmica, as empresas precisam se adaptar e aceitar a incapacidade de trabalhar apenas com suas capacidades internas objetivando satisfazer necessidades externas. O mundo é mais complexo agora.

OS PRINCÍPIOS DA WIKINOMICS

O novo tipo de empresa é aberta ao mundo. Ela não é um sistema fechado, mas trabalha em colaboração de massas e compartilha conteúdo. Precisa ser uma “firma verdadeiramente global”. Dessa forma, “a nova arte e ciência da wikinomics se baseia em quatro novas e poderosas idéias: abertura, peering, compartilhamento e ação global.”

SER ABERTO

A lógica das empresas era agarrar-se a seus recursos mais cobiçados. Consideravam o capital humano como base de competitividade. Portanto, contratavam os melhores profissionais do mercado. Mas, a nova dinâmica exige um outro comportamento. Em vez de padrões fechados, estes devem ser abertos. Os clientes não suportam mais programas que são como ilhas, funcionando apenas em alguns equipamentos. Não querem ficar presos dentro das arquiteturas dos fornecedores.

A transparência é outro ponto de mudança. Ao invés de informações empresariais secretas, liberada apenas entre os membros da mais alta hierarquia, deve-se permitir ao público ter acesso a uma variedade de informações. Essa franqueza, sinceridade, conquista mais do que o antigo modelo fechado. Os resultados são significativos.

Nossa pesquisa mostra que a transparência é crucial para parcerias de negócios, reduzindo os custos de transação entre as empresas e agilizando o metabolismo das redes empresariais. Os funcionários de companhias abertas confiam mais uns nos outros e na empresa, o que resulta em custos mais baixos, melhor inovação e mais lealdade”, dizem os autores.

PEERING

Hierarquias estiveram presentes em quase todas as grandes organizações da sociedade humana, como o exército e a igreja. Parecia que não haviam alternativas viáveis. Mas a nova colaboração mostra que isso não é verdade. Um exemplo de peering é o Linux. Em 1992, o seu criador, Linus Torvalds, fez um chamado online para colaboradores aprimorarem o sistema. Cinco fizeram mudanças significativas. Atualmente existe uma organização informal para gerir o desenvolvimento contínuo do software.

Outros exemplos de peering citados pelo autor foram a australiana CAMBIA e a Marktocracy. A primeira possui uma rede colaborativa de pesquisadores que geram soluções para agricultores e divulgam suas pesquisas em produtividade agrícola. A segunda recrutou 70 mil corretores para administrar carteiras virtuais de ações para avaliar quem são os melhores investidores. Ela cria, então, um índice com os cem melhores.

Apesar do igualitarismo, existe um sistema subjacente, onde alguns possuem mais autoridade do que outros, porém, de forma bem diferente dos sistemas tradicionais de hierarquias de comando das indústrias. Na verdade, o segredo do peering é justamente a auto-organização, que funciona melhor que a antiga gestão hierárquica.

COMPARTILHAMENTO

A sabedoria convencional diz que você deve controlar e proteger recursos e inovações de propriedade exclusiva”

Não é para menos que grandes gravadoras e produtoras de filmes lutem tanto contra o compartilhamento de dados. Criam diversos mecanismos para dificultar cópias, controlar o comportamento dos consumidores e detenção de direitos autorais. Fazem de tudo para gerar processos contra quem distribui o conteúdo ou se apropria dele, como os casos dos remix.

Os autores destacam exemplos de empresas que tiveram sucesso ao compartilhar conteúdo. Empresas farmacêuticas, em 1999, criaram o SNP Consortium e a Alliance for Cellular Signaling. Esses projetos agregam informações genéticas selecionadas em pesquisas biomédicas  em bandos de dados com acesso público.
Outro exemplo citado é o da Sun Microsystems. Tim Bray, diretor de tecnologias da web da empresa disse que “realmente acreditamos que o compartilhamento radical proporciona ganhos para todos”. Essa nova dinâmica cria novas oportunidades, ele ressalta. Mas, claro que não é necessário, nem lógico, que as empresas compartilhem tudo, mas não terão sucesso se toda sua propriedade intelectual ficar escondida.
AGIR GLOBALMENTE

Algumas empresas ainda vivem em uma ilha. Mesmo sendo transnacionais, não agem como empresas globais de fato. Vivemos em um “mundo plano”, por assim dizer. É um mundo sem fronteiras. A globalização está ocorrendo no pleno sentido da palavra. Mas, nem todas as empresas estão se adaptando ou dispostas a tanto.

Agir globalmente é um tremendo desafio operacional, especialmente quando você está soterrado por sistemas e processos herdados.”

Ralph Szygenda, CIO (diretor de TI) da General Motors destaca que a GM era transnacional, mas não global. Ela era detentora de diversas outras marcas, como  Cadillac, Oldsmobile e Buick. Mas, cada uma agia de forma independente e, consequentemente, haviam redundâncias imensas e dispendiosas.

É necessário ter capacidades globais na nova economia. Isso inclui mão-de-obra global, processos globais unificados e uma plataforma global de TI. ” uma empresa verdadeiramente global não tem fronteiras físicas ou regionais” A ideia é tratar como todo mundo fosse um só país, como destacou o CIO da GM.
PROSPERAR NO MUNDO DA WIKINOMICS

Uma coisa que não mudou é que as organizações (e sociedades) vencedoras serão aquelas que lançarão mão das torrentes de conhecimento humano e as transformarão em aplicações novas e úteis”

Os antigos modelos hierárquicos não conseguem dar conta da nova dinâmica. As mudanças estão ocorrendo e, de fato, sempre ocorreram na sociedade. Vide quando da chegada do telefone, do automóvel, da eletricidade, da imprensa. Mas, nessa era, as mudanças ocorrem em uma velocidade ainda maior. Não se pode viver com mentalidade de “planejar e empurrar”. Tem que pensar em “empenho e criação conjunta”.

Preste atenção. Sempre que uma mudança dessas ocorre, acontece o realinhamento de vantagens competitivas e de novas medidas de sucesso e valor.” Precisamos nos adaptar e não ficar estagnados, preso às antigas estruturas. Para sobreviver no século XXI, é preciso trabalhar colaborativamente nessa nova rede.

 

 

[Exercício] Análise Breve de Repercussão

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Aquarius é um filme de drama/suspense franco-brasileiro dirigido por Kleber Mendonça Filho, produzido por Emilie Lesclaux, Saïd Ben Saïd e Michel Merkt, coproduzido por Walter Salles. A protagonista, Sonia Braga, estrela como a personagem Clara. A produção foi alvo de muitas polêmicas.

A primeira envolveu a manifestação dos produtores brasileiros em Cannes, ao expôr cartazes com os dizeres “Fora, Temer”. No Brasil, o longa-metragem recebeu classificação indicativa para maiores de 18 anos. Após protestos, o Ministério da Justiça a reduziu para 16 anos.

Aproveitando o tema, decidi investiga rapidamente na Internet acerca da repercussão do mesmo. Usei dois buscadores: (1) Duckduckgo e (2) Google. O termo utilizado para a pesquisa foi aquarius filme. Analisei os resultados encontrados nas duas primeiras páginas, tanto na pesquisa na web quanto na de imagens.

No caso do Duckduckgo, os resultados que predominaram foram de sites com sinopses do filme e comentários positivos sobre ele, sendo 26 ao todo. Também haviam muitos links de perfis, páginas ou grupos no Facebook (10) falando sobre ou promovendo o longa-metragem. Notícias sobre as polêmicas do filme apareceram em 8 links. Também encontrei 8 blogs comentando sobre o Aquarius e, pelos títulos, eram de elogio. Encontrei 3 sites para fazer download da obra.

No que se refere às imagens, Duckduckgo me apresentou principalmente cenas do filme (9). Haviam 5 fotos da manifestação dos atores contra Michel Temer em Cannes e mais 4 imagens dos atores em geral ou dos bastidores da filmagem. Havia uma imagem editada da manifestação, fazendo chacota dos produtores e referenciando a Lei Rouanet.

Na busca pelo Google, o que predominou nos primeiros resultados foram links de sites de notícias (9). Em geral, consistia em críticas positivas sobre o filme. Encontrei 4 blogs falando sobre e 4 notícias citando as polêmicas envolvidas com Aquarius. Também haviam ligações com Facebook e Youtube (3).

O buscador de imagens do google me deu como resultado 6 fotos da manifestação dos atores em Cannes, 6 imagens de cenas do filme, 5 filmagens dos atores no festival de Cannes, 1 pôster. Além disso, havia uma foto de notícia da Folha de São Paulo e uma imagem com símbolo de proibido e com a palavra “boicote”.

Ao procurar por aquarius filme twitter, a grande maioria dos links era de comentários sobre a polêmica. Em geral, eram críticos à decisão do Ministério da Justiça, o qual colocou o filme na classificação indicativa de 18 anos. Também encontrei referências à hashtag #BoicoteAquarius.

Conclusões

Os resultados oferecidos pelos dois buscadores me surpreenderam um pouco. Imaginei que priorizariam os resultados que falassem das polêmicas envolvendo o filme. Porém, o que mais encontrei foram críticas positivas, sinopses e detalhes sobre o longa-metragem. Mesmo no duckduckgo, que afirma não coletar nossos dados, os resultados sobre as polêmicas do filme foram pequenas. Predominou os sites com resumos.

Para mim, os links eram na maioria dos casos de visão similar à minha. Sou a favor do filme e contra o boicote. Provavelmente eu não me interessaria de compreender a polêmica do Aquarius por meio de alguns sites e revistas, como, por exemplo, lendo a VEJA. A presença de sites de download estejam relacionados ao meu desejo de ver o filme. Assim, posso supor que os buscadores estão utilizando mecanismos de personalização, adaptando aos meus gostos e interesses. Talvez o resultado para outros usuários sejam diferentes, seguindo sua visão política.